
Coordenação:
Américo de Sousa
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LIVRO
A Persuasão - Américo de Sousa
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Do Prefácio
«Contrariamente ao
que se passa nos Estados Unidos, a Europa, e especialmente Portugal, não
tem actualmente, uma tradição no campo dos estudos retóricos.
A retórica, entre nós, ou se foi confinando ao domínio da
estilística nos estudos literários ou, muito simplesmente, se relegou ao
empobrecimento do campo semântico de um termo, retórica, que se
exprime hoje mais como arma de arremesso acusatória no discurso.
Dizer de um discurso que ele é só retórico, sendo corrente,
mostra bem a privação a que o termo foi submetido em termos de
conteúdo.
A conotação mais corrente do termo retórica é,
actualmente, a do puro vazio.
Só muito recentemente, na universidade portuguesa, se começou a
dar mais atenção à problemática específica da retórica e os seus
estudos começaram, ainda que parcamente, a aparecer.
O presente trabalho de Américo de Sousa, que tem, também ele,
origem numa dissertação acadêmica, vem dar uma notável contribuição
para os estudos retóricos entre nós. |
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Colocando, desde logo, a noção de “persuasão” no centro da sua atenção crítica, o autor dá bem o sinal da sua justificada intenção de prosseguir uma abordagem do tema recentrada sobre os procedimentos de argumentação e não tanto sobre a tropologia a que uma certa retórica, não ousando o seu nome, se tinha relegado sob o manto da estilística.
Não é também na lingüística que a sua
intenção de “delimitar fronteiras” irá integrar a disciplina mas
antes no campo mais vasto de um processo de comunicação.
Começando por uma visitação
histórica às origens helênicas da retórica enquanto teoria da
argumentação, muito pertinente por ter sido aí que as problemáticas
fundamentais da disciplina se definiram com Platão, Aristóteles e os
sofistas, o autor prossegue a sua indagação pela modernidade polémica
que tanto nos marcou o pensar sobre estes temas.
O renascimento dos estudos
retóricos em meados do século passado, a partir sobretudo da obra de
Perelman, é o que ocupa a segunda parte deste trabalho. Aí se operou uma
restauração a que Perelman chamou de Nova Retórica, e que merece
aqui uma atenta e informada análise por parte do autor, centrada não
tanto no estratégico conceito de auditório universal mas também na
complexidade das múltiplas técnicas argumentativas.
Mas é talvez na terceira e
última parte que Américo de Sousa nos traz
a sua contribuição mais pessoal e até ousada para compreender o
fenómemo persuasivo.
Ao colocar a hipnose como
tema do seu esforço compreensivo, o autor avança em terreno incógnito,
mas também por isso a sua démarche merece uma atenção particular.
Com efeito, ele chegou aí
depois de definir muito acertadamente uma problemática posta já por
Perelman: como opera a estratégia retórica da persuasão entendida como adesão
dos espíritos? Perelman
tinha limitado a sua inquirição ao âmbito dos “recursos
discursivos”.
Procura-se aqui ir mais longe
e o caminho escolhido passa, muito pertinentemente, por A . Damásio e sua teoria das emoções. É por essa via que
o autor chega ao “modelo hipnótico de persuasão”. Tito Cardoso e Cunha
Professor
de Retórica na Faculdade
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